Poesia, um idioma da percepção:"Mesmo no meio do nevoeiro, não é difícil constatar que também não sei fazer poesias." (Carlos Alberto Coelho)
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19 fevereiro, 2007

Manoel Bandeira

The Nymphaeum (1878) - William Bouguereau


Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

Manoel Bandeira

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Mas que alegria deu-me vc, Alexandra, com sua visita ao blog da Santa, a leitura do meu post, o não ficar satisfeita e comparecer tão gentilmente ao Chega mais e seu elogio animador. Mais alegre fiquei em chegar aqui e deparar-me com a leveza do blog, suas poesias, a alma voltada para Os Sentidos, onde por hoje pinço "Bocas entre abertas e defeso estar no ar//
E vontade de mais beijar...
" que me remete prazerosamente a todos os beijos a que me associei. Por falar nisto um beijo.

2/27/2007  
Anonymous Anônimo said...

Já deu saudades, viu?

3/15/2007  

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